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ELEIÇÕES
Uma escolha dura alguns segundos. As consequências, quatro anos ou mais.
É domingo. A fila anda devagar. Alguém olha o relógio. Outra pessoa confere o número do candidato pela última vez. Tem quem vote em silêncio, quem saia da cabine aliviado e quem reclame que “não adianta nada”.
Mas adianta.
O voto é uma das principais formas pelas quais a população participa diretamente da democracia. Pela urna, são escolhidas pessoas que ocuparão cargos responsáveis por decisões que chegam muito além dos palanques: educação, saúde, trabalho, segurança, impostos, moradia, cultura e tantas outras áreas da vida cotidiana. A Constituição determina que a soberania popular se manifesta pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos.
Isso significa que, diante da urna, o voto de quem tem milhões e o de quem não tem quase nada valem a mesma coisa.
Talvez seja justamente aí que esteja a parte mais interessante.
Durante boa parte da história brasileira, votar não foi um direito disponível para todo mundo. Mulheres, pessoas analfabetas e outros grupos foram afastados da participação política em diferentes momentos. A ampliação do direito ao voto mudou quem poderia participar das decisões públicas e também quem poderia cobrar que essas decisões considerassem diferentes parcelas da sociedade.
Hoje, a urna não pergunta quanto você ganha, onde mora ou qual é a sua profissão.
Ela pergunta apenas uma coisa: qual escolha você quer registrar?
E escolher não significa simplesmente apertar um botão. O próprio Tribunal Superior Eleitoral recomenda que eleitoras e eleitores conheçam as propostas das candidaturas e busquem informações confiáveis antes de votar.
Porque política não termina quando a tela da urna confirma o voto.
Ela continua na escola pública, no posto de saúde, no preço dos alimentos, no salário, no transporte, na universidade, na preservação de espaços culturais e nas oportunidades que chegam ou deixam de chegar à população.
É por isso que talvez valha desconfiar daquela ideia de que política é assunto distante.
Não é.
Ela está na rua, no trabalho, na mesa de jantar e, de quatro em quatro anos, também cabe dentro de uma pequena cabine.
O voto dura alguns segundos.
Mas o país escolhido a partir dele continua existindo quando a eleição acaba.
